14 de Dez de 2009

Maria - pré review!

"... merda prós dados!!!"
Quando falo em wargames penso em dados. É uma daquelas questões da minha mente que eu não consigo resolver. Dou por mim a resumir muita da experiência do próprio jogo a um par de lançamentos (ou dois, ou três) mesmo que isso não o defina. E é difícil combater esta forma de lidar com a questão, este preconceito de eurogamer. Não é que eu abomine dados, per se, mas, há qualquer coisa neles que me irrita...
Passando à frente nesta luta inglória do jogo de guerra modernaço - aquele que é jogado com cartas, counters, blocos, dados e outros ambientes - reconheço que a culpa de os não jogar não pode ser dos dados. Os dados não definem os jogos de guerra, da mesma forma que os cubos não definem os eurogames. Os ambientes (acho que esta é a expressão mais apropriada) dos jogos de guerra são vastíssimos e servem, precisamente, o propósito de criar uma atmosfera verosímel de uma experiência quase sensorial de recriação histórica ou fantástica, conforme o tema e o objectivo do jogo. Para esta recriação, nuns casos usam-se cartas com história, noutros counters com representações de força, ainda mapas com espelhos perfeitos de teatros de operações, ou mesmo blocos de madeira que escondem o inimigo. Usa-se de tudo um pouco. Às vezes tudo, outras vezes, pouco. Mas creio que, corrijam-me os mais letrados no assunto, os dados são, em 99% das vezes, denominador comum. Ou seja, eles não definem o jogo de guerra mas também não podem ser ignorados.
"... jogo do catano!!!"
A busca do Santo Graal dos jogos de tabuleiro é fascinante, por um lado, frustrante e angustiante, por outro. Esperemos todos que ele não exista porque, a existir, iria acabar com a procura e, na verdade, aquilo que faz do Santo Graal algo interessante e fascinante, rapidamente se iria tornar num resultado angustiante pelo facto da procura ter cessado. Recorro à analogia com uma célebre frase de Reiner Knizia - "nos jogos de tabuleiro o objectivo é ganhar mas é o objectivo que é importante e não o ganhar". Com o Santo Graal é o mesmo. O objectivo é a procura, o encontrar nem tanto. Resumindo, o que conta é o caminho. A pergunta que eu me tenho feito é: "e se o Santo Graal for um wargame?"
Confesso que já tive mais certezas em relação a isto. As minhas dúvidas de agora prendem-se com o facto de começar a achar os jogos, cada vez mais, iguais. Mais coisa menos coisa, da minha colecção de cerca de 350 jogos, tenho uns 50, verdadeiramente, jeitosos. E por jeitosos digo apetecíveis de jogar de quando em vez. Quando volto à minha colecção e vejo dez jogos iguais, embora com dez títulos diferentes, fico frustrado. Como se o Santo Graal não existisse. Mas se eu quero que ele não exista por que carga de água hei-de ficar frustrado? É difícil explicar como esta frustração surge, sobretudo na medida em que eu quero que exista.
Olhando o outro lado dos jogos, os de guerra, esses, podem também ser iguais. Penso que terei cerca de 10 jogos de guerra e, metade deles, são iguais. Os Columbia são de blocos, os GMT são de cartas, os outros, são os outros. E são os outros que interessam para o assunto. Aqueles que são, realmente, diferentes. Tema, mapa, estratégia, táctica e, ainda mais pormenorizadamente, a arte, o nome, a caixa e a ausência de dados. Em particular, Maria.
"Maria!!!"
O último dos últimos jogos que joguei - Maria - mostrou ser um peso pesado. E digo peso pesado no conjunto de jogos que conheço. Digo jogos, generalizando e não particularizando em euro ou war games. Jogos são jogos e o Santo Graal não tem de escolher parâmetros desse género. Seria como escolher entre dois filhos. Maria, subtilmente, aparece como um dos grandes jogos do ano. Não posso chamar-lhe jogo "enorme" porque ainda não espiolhei todas as suas valências mas, como primeira abordagem, fica a magnífica impressão de um jogo sóbrio, bonito, de conflito, cheio de manhas e de balanceamentos subtis entre todas as nações intervenientes. Não direi que encontrei o Santo Graal, isso é precipitado e estúpido mas, cheguei mais perto, tenho essa convicção. E os dados, esses, como uma espécie de prémio de consolação e uma prova de emancipação, não estão presentes.
Maria veio acabar com a divisão dos significados entre os wargames e os euros. Veio diminuir a fronteira e designar uma nova era na minha "prática lúdica" - de agora em diante, jogos são jogos. De guerra ou não, com dados ou cartas, jogos são jogos. Com criança pequena ao colo, ainda em desmame, lembrei-me hoje que não posso afastá-la mais de 3 horas da mãe. Eu até posso levá-la para longe, muitos quilómetros de viagem mas, a mãe tem de seguir viagem também. É o supply! Tal e qual como num bom jogo, se queremos chegar longe, convém não descuidar o supply. Essencial em Maria, essencial em Miguel. A primeira impressão permanece sólida e firme, a review, essa, tem de esperar por maior experiência. Ainda é cedo!

10 de Dez de 2009

UNICEF & Tratado de Kyoto

Desculpem-me se parecer demasiado ‘activista’. Não o sou, nunca o fui e nunca o serei. São apenas pensamentos meus. A 11 de Dezembro de 1946 foi criada a UNICEF e a 11 de Dezembro de 1997 foi assinado o tratado de Kyoto por 150 nações. Este não será, propriamente, um Top 5 sobre jogos. Será antes sobre estas duas ‘coisas’ e ‘outras’. Da 1ª quase ninguém se recorda mas a 2ª anda agora nas notícias devido à tal Cimeira de Copenhaga. Serão as duas importantes? Para mim, sim e não. Aqui vai sem qualquer ordem:
Agricola – Belíssimo jogo, vencedor do prémio de Melhor Jogo do Ano do SpielPortugal em 2008. Seria bom que todos as famílias que não podem fazer da sua vida outra coisa pudessem ter uma bela quinta com tudo para criarem sem problemas os seus filhos. Eu gostaria de viver assim. É incrível que neste mundo, em pleno século XXI, morram diariamente tantas crianças por não terem aquilo que deveriam ter: comida e outras coisas
Vertigo – Um velhote e simpático jogo sobre poluição. Neste jogo se poluírmos o mundo de forma irreversível todos perdemos. É, o jogo reflecte bem a realidade. Mas eu não sou um activista do ambiente – mas faço separação de lixos -, nem sequer acredito no efeito de estufa devido às emissões de CO2 ... são antes os ciclos solares. E agora discutem-se quotas de emissões desse gás. Pois, tu estás a começar, mas já não podes emitir mais ... lixa-te, eu desenvolvi-me antes de ti, por isso agora respira o meu CO2. E além disso: ouve, eu já enchi a minha fossa de CO2, alugas-me a tua sanita?
Brinquedos/jogos para crianças – O BGG está cheio disto. Eu, enquanto criança, e agora adulto, nunca me pude queixar da falta de brinquedos e de jogos. Os meus pais, felizmente, sempre me deram aquilo que puderam. É por isso que por aqui ando a escrever disto. Agora, quantos pais gostariam de fazer o mesmo e não podem? Chega o Natal e o que é que se vê por aí? Que merda de mundo é este? Graças a Deus que as crianças, as que o podem ser, sempre serão crianças e, de um ou de outro modo, sempre serão capazes de criar as suas brincadeiras/jogos.
FC Barcelona – Não gosto deste clube. Mas há que reconhecer que é uma grande instituição. Teve o mérito de nunca recorrer à publicidade no seu equipamento até que teve o mérito de fazer publicidade gratuita no seu equipamento à UNICEF. Mais uma vez, não sou activista nem quero ser hipócrita: nunca contribuí nem contribuirei para a UNICEF. Já pago, e bem, os meus impostos. Isso cabe aos governos de todo o mundo. Por isso o jogo seguinte é:
Ideology – Já tenho este jogo, ainda não o vi e se calhar não presta para nada. Mas é sobre ideologias que andam por aí neste mundo. E é precisamente esta abundância de ideologias que leva a muitas destas misérias. Temos telemóveis, temos internet, somos hi-tech, viva o avanço tecnológico, viva a maçaroca, temos tudo ... alguns, outros alguma coisa e muitos nada. E o que somos? Um nada em constante guerra ... de ideologias. Desde a ‘revolução’ da Renascença que a Humanidade não olha para si mesma e avança para outro estágio de desenvolvimento ... humanista!
P.S. Neste tema caberia aqui um outro jogo, ainda protótipo, mas o Vital Lacerda que fale disso, se quiser.
P.S.S. Desculpem os devaneios, ou efabulações, como diria o Vital :P

6 de Dez de 2009

LeiriaCON 2010, os convidados

Já falta pouco mais de mês e meio para mais uma LeiriaCON. No já rico cenário de convenções nacionais, esta tem a honra de inaugurar o calendário civil de 2010. Os preparativos intensificam-se, ultimamos algumas surpresas, mas acima de tudo está na hora de anunciar quem são os convidados de honra deste ano. Nas últimas edições tivemos a felicidade de poder trazer a Portugal conceituados criadores de jogos, e essa é uma das nossas principais apostas. Dar a conhecer ao mundo a nossa crescente, viva e dinâmica comunidade gamer, e ao mesmo tempo presentear esta mesma comunidade com a presença de autores consagrados.
Assim, e sem mais delongas é meu privilégio anunciar a todos o quarteto de convidados de honra da LeiriaCON 2010:
Andrea Angiolino (Wings of War; Ulysses; Obscura Tempora)
Gil d'Orey (1886 Loures; Aljubarrota; Oitavos)
Mac Gerdts (Imperial; Antike; Hamburgum)
Michael Schacht (Web of Power; Coloretto; Valdora)
Agora está na hora de marcarem na vossa agenda, o compromisso de aparecerem no último Fim-de-Semana de Janeiro, para mais uma edição da LeiriaCON.

4 de Dez de 2009

TOP 5 - Jogos sobre competições desportivas




Sempre gostei de competições desportivas, nomeadamente fuebol e corridas de carros. Desde puto que muitas das minhas brincadeiras/jogos giravam em torno destes temas. Um dos meus sonhos, enquanto jogador, sempre foi tentar criar um jogo que simulasse, de um modo aceitável, o desporto rei - o futebol. Nestes últimos dias cheguei à conclusão que criar jogos sobre um qualquer desporto é extremamente difícil. Eis o meu Top 5, incompleto ...

Formula Dé - Dentro desta categoria este é, provavelmente, o melhor, e, também, o de maior sucesso. Regras simples que simulam de um modo bastante aceitável corridas de automóveis. Com inúmeras expansões e um grafismo de muito boa qualidade, tem uma enorme legião de fãs e continua bem vivo, apesar de já ter uma certa idade.

Crash'n Tackle - Já ando atrás deste há algum tempo. É um jogo australiano sobre rugby. É um desporto de que também gosto muito ... não por causa dos 'Lobos', mas por causa do 'Torneio das 5 Nações', que antes de aparecer a SporTv era transmitido na RTP2. É um jogo que pretende simular fielmente as regras do rugby e que já inclui várias expansões com as principais equipas e em que os melhores jogadores aparecem individualizados com as suas principais qualidades.

Leader 1 - Também gosto de um bom Tour ou de uma boa Volta a Portugal, apesar de todo o doping que por aí anda. Gosto de assistir a uma etapa com chegada ao Alpe d'Huez ou à Srª. da Graça. Bem sei que para muitos será aborrecidíssimo, mas eu gosto. E, na falta de melhor, este joguito até que é uma razoável simulação deste desporto. Podia era ter uns bonequitos-ciclistas muito melhores, de modo a apresentar o colorido de um pelotão.

Table Soccer - Este não é um jogo, é antes uma daquelas diversões de perícia. E, desculpem-me alongar-me e a imodéstia, fiz dele o 'meu' melhor jogo sobre futebol. Tinha uns bonequitos de plásticos e um botão e o objectivo era carregar com os bonequitos no botão de modo a introduzi-lo na baliza adversária, como é óbvio. A minha versão do jogo (francesa, em Portugal era da Majora) tinha uns bonecos com base e corpo rectangulares - uma equipa vermelha e outra azul. Fartei-me desta 2 cores. Resolvi fazer 'equipamentos' em papel cavalinho para pôr sobre aqueles corpos rectangulares. Se bem me lembro fiz cerca de 120 equipas (11x120 equipamentos) - todas as principais equipas europeias, brasileiras e argentinas e até uma equipa que já não existe: o Cosmos, de Pelé e de Nova Iorque). E não pensem que eram coisas toscas, até a marca e detalhes do equipamento e a publicidade estavam lá bem desenhadinhos. Criei regras para simular o desporto, criei um campo em alcatifa, os guarda-redes eram tipo 'subuteo', etc ... Resultado: entre os meus 13 e 14 anos a putalhada lá da terra, quando não estava a jogar o jogo à séria, estava a jogar este :) Um dia a minha mão pôs tudo isto no lixo ... pensando que era lixo.

Por último - não tenho nada a acrescentar no lugar nº 5. Há 247 páginas de jogos na categoria de desporto no BGG. E não encontrei lá mais nada que merecesse fazer parte deste Top. Não me critiquem.

2 de Dez de 2009

Top 10 - Novembro 2009

Com que então Essen é que é? Este ano foi muito melhor que o ano passado... e mais não sei o quê. Já lá vai um mês e jogos de Essen... NADA.

Este mês o prémio vai mesmo para o Automobile. Voltou ao pódio... isto num Top em que os 5 primeiros lugares são ocupados por 4 jogos do Sr. Wallace. É verdade, ele continua a fazer furor por terras do Liz.



O nosso Top:
1 - Brass
2 - Imperial
3 - Automobile
4 - Steam
5 - Liberté
6 - Paths of Glory
7 - Twilight Struggle
8 - Agricola
9 - Caylus
10 - 1830: The Game of Railroads and Robber Barons

De resto, nada de novo... ou seja, as mudanças habituais. Um subida do Twilight Struggle por troca com o Agricola e a reentrada do 1830, por troca com o Age of Steam.
Parece-me que Essen teve melhores jogos médios este ano... mas nada que entre neste clube restrito.

Despeço-me com amizade até ao próximo Top.

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